Natal sem Fome Dezembro 2017

PERUS: A Associação Assistencial Azarias distribuiu 10 mil refeições natalinas às famílias carentes. A prática tem como principal incentivadora a ‘Igreja do Relógio’; kit de frutas e verduras acompanhou as quentinhas.

SÃO PAULO:

Como acontece todos os anos, o domingo, 22 de dezembro, foi festivo para ao menos 10 mil pessoas, grande parte pertencente às famílias carentes que residem nos vários bairros e vilas que formam o distrito de Perus, justamente onde se estabelece a sede nacional da Ong Azarias. Reunindo verdadeiro batalhão de voluntários que buscou, separou, cozinhou e distribuiu as refeições, tendo como postos de entrega as igrejas que mantém atividades nessas localidades. Para custear esse ‘almoço coletivo’, a entidade contou com donativos dos mantenedores e alguns comerciantes que se dispuseram em cooperar com o gesto. “Tivemos a adesão de alguns supermercados, o Ceagesp também enviou donativos e os mantenedores entraram com a sua colaboração, compreendida desde o processo de escolha, separação, preparação, embalagem, transporte até a distribuição das marmitas junto aos necessitados”, afirmou a presidente da Ong, missionária Lígia Cristina Marins Cardoso, que também colocou mãos à massa.

O cardápio apresentou arroz, feijão, macarronada, carne e batata. Além das quentinhas, beneficiados receberam um kit contendo frutas e legumes, entregues a parte. “Um baita trabalho, hem! Estão de parabéns pela manutenção desse gesto bastante humanitário”, elogiou o vereador paulistano José Police Neto, o Netinho (PSD), presente à entidade. Depois, participou da entrega de alimentação à comunidade que vive no jardim da Paz.

GRATIDÃO:

Idoso, o morador Ismael Occhi, 62 anos, não fez quaisquer cerimônias para retirar suas marmitas junto à congregação de vila Fanton (rua Aquiles Neto, 331). “Está de parabéns. Os irmãos são firmeza. Não podem deixar de recordar daqueles que sempre carecem de um gesto mais humanitário”, agradeceu. Com dois filhos, a desempregada Regiane Maria Martins, entendeu que o alimento chegou em boa hora. “Nossa! Uma benção! Estava à espera. Meu esposo está preso, não tenho como me virar e esse gesto, por mais que entendam o contrário, é muito bom, ajuda mesmo. Só tenho em agradecer”, disse. Residente em Francisco Morato/SP, o ajudante geral Paulo Ricardo, de 26 anos, se valeu de um carrinho-de-bebê , para acondicionar algumas quentinhas. “Rapaz, isso é bom demais. Seria tão legal se fizessem isso em nossa cidade. A fome é uma coisa séria. Peça para Deus abençoar esse pessoal que pensou nisso. Pensar no próximo é a religião de verdade”, considerou. Deficiente nos membros inferiores, catador de lata, ex-morador de rua (praça da Sé) e procurando deixar o mundo das drogas, Genílson Oliveira vive numa casa, no Recanto dos Humildes, junto de mais três pessoas e um bebê. De posse de meia dúzia de marmitas, elogiou muito, agradeceu, porém, cobrou: “Sabe, acredito que as igrejas deveriam estar mais próximas das pessoas. A carência é muito grande. Esse contato favoreceria a todos, acredito”, supôs o baiano de Jequié. (…)

Antecipando que a tendência é ampliar esse alcance ano a ano, esclareceu ainda que “o almoço não foi distribuído no dia de Natal, como nos anos anteriores, para evitar que os voluntários tivessem prejuízos quanto à celebração da data perante os seus familiares”.

Colaborador: Jornalista Célio Campos